Perícia – Por Mozileide Neri

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Mozileide Neri
A senhora que era nossa
Acrílica sobre madeirite resinada
50 x 40 cm
2019
Acervo particular de Gaia Fernandez (RJ)
Pintura livremente inspirada no conto homônimo de Marcelino Freire.

Perícia

Fez exames,
nada comprovou.

O menino só tinha doze anos,
foi a polícia quem matou.

O traficante lá de cima
também atirou.

A balística não confirmou
qual calibre foi usado.

O menino enterrado
foi mais um alvejado,

A bala perdida
nunca sabe
se saiu da arma de um policial
ou de um marginal.

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Por Pilar Sanchez

Esta galeria contém 1 foto.

Publicado originalmente em MasticadoresBrasil:
Que a luz se faça nos laresque as consciências extrapolem os limites do mundo físico ampliando o viverque o amor seja a ferramenta que move os corpos no Planetaque a paz preencha e expanda o espaço…

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PS: I love you

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Ps: I love you – Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Escrevi uma carta de amor, com todo o carinho que havia em mim, no verso fiz um desenho, coloquei dentro de uma garrafa, e tampei com uma rolha. Fui até a beirada do píer e segurei-a com força, mas no meio do caminho, entre meus braços, o punho, e o mar, lembrei-me dos ativistas, de toda essa onda de sustentabilidade, pensei na poluição a solta por todas as cidades, tive receio de matar um peixe, ou por engano engasgar um boto.

É amor, sei que você, de todas as pessoas seria quem leria as minhas palavras, mas sabe como é a ecologia anda em voga pela humanidade, o amor (por outro lado) tanto faz, tanto fez. Se fossem apenas garrafas de mensagens, que os homens jogassem pelos mares, tenho certeza de que estaria tudo bem, mas tem essa onda de petróleo…

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Contra a corrente – Por Daniela S. Terehoff Merino

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Desenho de Cláudia A. Terehoff Merino

Contra a corrente

Ainda adolescente e muito medrosa, inventou de fazer uma tatuagem. Uma de carpa (carpa vermelha), bem na bochecha: “Para trazer coragem, resistência e perseverança e você aprender a nadar contra a corrente”, como avisou que aconteceria uma amiga dada a misticismos, simbologias e interpretações da natureza.

Uma vez feita a tatuagem, a jovem não se cansava de admirar o novo rosto: como era bela essa obra-carpa, nascida de um desejo seu!

Com o tempo, foi realmente adquirindo mais força e coragem em tudo o que fazia. Se lhe convidavam para ir a uma danceteria, topava sem medo de o lugar sofrer com um incêndio como sentis antes; se desejava fazer algum curso onde havia poucas vagas, se inscrevia e lutava para passar na prova, deixando de lado o receio de não conseguir realizar o sonho. Tornou-se constante, ficou mais forte… já…

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Protesto – Por Mozileide Neri

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Mozileide Neri
Xilogravura sobre papel
40 x 40 cm
2020
Inspirado no desenho original de Clarice Lispector por Alfredo Ceschiatti (Paris – 1947).
Acervo pessoal de Mozileide Neri

Protesto

O grafismo do muro alto não se apaga sozinho,
nem chuva, nem sol, nem cara feia apaga.

O grafismo colorido grita e reclama.
A imagem grafitada homenageia e sangra,
perdida a bala não estava.

Realidade assassina
de vidas interrompidas.

No protesto pacífico,
a favela chora
e pede justiça.

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eu não sou seu robô – Por Ian Plat

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eu não sou seu robô

a forma binária de pensar o mundo é a mais primária

sustentando todo tipo de distorção

fundamentalmente as mais tóxicas

como o fascismo

é uma forma burra de pensar o mundo

e tudo o que tem dentro

e fora dele.

tenho um pouco de pena

das mentes que só pensam o mundo na forma primária do binarismo

o universo não é binário

(talvez não seja nem mesmo um

mas múltiplos

multiversos…)

assim é também em outros âmbitos

político

científico

artístico

e também o sexual

a natureza nunca foi binária

nunca anda em linha reta

da mesma forma

nossa natureza interna

não é bipolar

os arquétipos são muito mais complexos

mais variados

nossa mente preguiçosa tantas vezes

prefere se acomodar

no 0 e 1

pensando como máquina

só que nós não somos máquina

nem o universo é máquina

e eu

eu não sou seu robô

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Delírio – Por Mozileide Neri

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Mozileide Neri
Sem título
Nanquim sobre papel reciclado (série em processo)
21 x 29 cm
2020

Delírio

Eu quero uma palavra que me mate.
Pode ser uma palavra já morta.
Úmida.
Sem significação literal.

Eu quero vestir paredes nuas.
Abrir portas côncavas.
Fechar janelas opacas.
Rasgar vidros.

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Jiboia – Por Jenis

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Jiboia

por Jenis

Meu sonho de criança era uma Jiboia

Cobras sempre se amarravam em mim

Aprendi que havia uma apertando a coluna

Outra que passeava e orelha a orelha

Outra no olhar, abocanhava e mordia

Logo vi que tinha mais do que podia cuidar ou ao menos contar

E mais do que podia querer

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Paixonite – Por Priscila Monteiro Santos

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Pintura de Georges Braque

Paixonite – Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Sabe me apaixonei por você assim que o vi, nos instantes seguintes, o meu sentimento simplesmente cresceu, na segunda vez que nos encontramos, assim o fez mais e mais, na terceira vez o odiei, odiei tanto que desejei matá-lo, mas como o crime não compensa quis morrer para não precisar mais vê-lo.

Na quarta vez, senti-me indiferente a você, era como tinha de ser, ainda não o havia perdoado, então decidi que paixão não serviria para nós, decidi que iria amá-lo, mesmo sem me declarar, confessar ou sem que você me perguntasse, estaria presente, e então por destino ou Deus a brincar com meus planos, ficamos ausentes.

Tanto tempo ausentes um do outro, que da outra vez em que o vi você era de novo um estranho, mas eu já estava preparada, sabia que a primeira vista você me causava…

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Ser urso ou ser coelho? – Por Daniela S. Terehoff Merino

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Desenho de Cláudia A. Terehoff Merino

Ser urso ou ser coelho?

Após uma infância e juventude inteiras comendo, dançando e pulando serelepe, de repente alegou cansaço, foi emudecendo e parou de sorrir. Havia perdido o gosto pela vida bem assim: sem mais nem menos.

Jogava a culpa no sono e nas dores; renunciou às festas e andanças; foi se isolando, se encolhendo e inclusive se fechando como um botão de rosa ao contrário até que, por fim, querendo deixar de existir de vez, simplesmente encostou a cabeça no travesseiro, fechou os olhos e, pensando estar em paz consigo mesmo, hibernou por dez longos anos.

Já era urso quando abriu os olhos novamente.

Ali, cansado até de tanto dormir e ainda deitado e olhando para o teto, pôs-se a refletir:

“Hummm… Pelo visto a vida continua sem graça. Tudo igual. Igualzinho! A não ser pelas… pel… ora essa, risadas? De onde…

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Poema de Gabriela Alcofra por Hang Ferrero

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Cores úmidas – Por Mozileide Neri

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Mozileide Neri
Monotipia sobre tecido
1m,50cm x 1m
2012
Acervo particular da Secretaria Municipal de Novo Hamburgo (RS)

Cores úmidas

Cores úmidas

escorrem
como silêncio esculpido.

Risos envelhecidos
sonham
como desejos enferrujados.

Dores sujas
choram
como uma ventania passageira.

Como uma ventania passageira
alivio dores sujas,
como desejos enferrujados
idealizo risos envelhecidos,
como silêncio esculpido
seco cores úmidas

em mim.

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realidade capitalista – Por Ian Plat

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Monções de Balança – Por Jenis

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Ficha técnica:
Jenis
Crossbow, 2020
Fotografia digital

Monções de Balança

Por Jenis

Viver carregada em círculos embriagados, descontínuos, é tudo que sei. Bom, ao menos conheço, pois saber é… saber demais. A merda estava feita quando me resolveram parir.

Entre paredes, entre pernas, mãos, cobertores, roupas e tudo mais que há possível de ser: me vejo entre os círculos. Sabe-se lá quais são os tamanhos certos, concretos ou abstratos, mas todo esse sofismo me dá dor de cabeça.

Fui amaldiçoada na coroação. Assim que rasguei o primeiro círculo caí no infinito e alguém certamente rio – já pode ver meus não-fins. Depois, tudo foi um: candelabros machucados pelo vai e vem das esferas giratórias, fundindo-se no calor primordial para se formar de novo.

Pode parecer que tudo é igualitário, eternas mandalas criadas pela vida, mas aqui mora o óbvio cego: As partes de fim nunca se acabam; salvo as…

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Telas – Teia – Por Daniel Pissetti Machado

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Suas telas-teia são manipuladas e mostram eventos gravados como se fossem ao vivo, mas não é só isso, longe, muito longe disso. A agenda das programações é programar você. Idiotizar você. Passe longe das telas, vá ler um livro, escrever um poema ou fazer amor. O tempo, como o dinheiro, não aceita desaforo.
DPM

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O ofício – Por Priscila Monteiro Santos

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A Morte de Marat
Pintura de Jacques-Louis David

O oficio – Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Tenho lido muito e escrito muito pouco, o que aparentemente é engraçado, sempre pensei que fosse o contrário, quanto mais lemos, mais escrevemos, mas é mentira, escrevemos muito mais quando estamos lendo menos.

Não procuramos o estilo do outro, encontramos o nosso próprio, não tentamos copias mal feitas, imperceptíveis do que outros dizem. Dizemos o que queremos, sem pensar em outros, apenas escrevemos porque é o que faz sentido. Coloco no plural para dar valor a minha própria voz, para tornar o que é meu de muitos, mas na verdade isso é o que ocorre comigo.

Queria entender por que ler, às vezes me bloqueia? é isso que acontece, fico ali embasbacada com o que leio, e sem nenhuma coragem de escrever as minhas próprias linhas.

Muito pudor, ler o outro me dá pudor, mas…

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Abstração poética – Por Mozileide Neri

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Ficha técnica:

Mozileide Neri

Desequilíbrio linear

Mista sobre tela 25 x 35 2017

Acervo particular de Maura Santiago (RJ)

Abstração poética

Fio a fio
caminho sobre trilhos
risco cores
sobre vidro.

Fio a fio
tenho a pele coberta
de segredos.
Tenho mãos vazias
escorrendo medo.

Grito a grito
entalhando palavras,
tecendo silêncio,
rasgando corredores,
quebrando claridades
inexistentes em mim.

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Limbo azul da Prússia – Por Jenis

MasticadoresBrasil

Ficha técnica:
Jenis
O dia depois de amanhã, 2018
Fotografia digital

Limbo azul da Prússia – Por Jenis

A madrugada madruga em sua própria madruguês.

(Pesquiso a palavra “madruguês”. Pra quê, se eu já sabia que era fruto da minha madruguês?)

Caio num espaço, num vazio, aquele momento do qual chamamos tão perto diversas vezes mas nunca compreendemos seu âmago. Que existência mais infundada essa nossa! De entender o Ser e nunca ser capaz de compreender o Não Ser. Parece alguma piada de mal gosto de que somos obrigados a engolir.

É nesse gosto de azul amargo que me desmaterializo e ouço o mais próximo que consigo dos sons do vazio. No mundo parado que se finge de morto e acredita que já pode transpassar, madrugo minha madruguês.

Pausa para o bombardeio.

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Cortejo – Por Daniel Pissetti Machado

MasticadoresBrasil

Números desconhecidos de celular
Testam seu tempo de resposta
E sua paciência
É um dos preços de se estar sob supervisão federal
Os grandes cortejos
Dos homens mortos
Gargalham nas sombras

DPM

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Silêncio – Por Priscila Monteiro Santos

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Morning Sun, 1952. Pintura de Edward Hopper.

Silêncio – Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Quando a casa esta vazia e a mente descansada, existe um som estranho, demoro a perceber que barulho é aquele e de onde ele vem. Então como se de súbito lembrasse a água fervendo na panela, recordo, esse é o som dos meus passos. É o barulho dos pés descalços a tocarem o azulejo. E de lá pra cá, daqui pra ali, estão a me seguir.

Quando tudo em volta silencia, nem sempre estamos em quietude dentro de nós. Mas há tardes, em que antes de começar a preparar o almoço, enquanto o vizinho ainda tem um martelo em punho, e lá em baixo sabe-se que alguém segura uma mangueira, apenas pelo som da água, e quando de repente surgem assobios, e vez por outra um avião, ou outro motorizado cruza a barreira invisível do silencio. Às…

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