Sobre a casca

LAGOA 077

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Cavalos

Cavalos cavalgam nos campos os caminhos do cosmos

Alados avançam as asas alçadas ao ar armados de amor

Relincham reinando nos rumos dos rios a renúncia renhida dos reis

Celebram na cava das crinas um rito de ritmos e raiam relâmpagos

Desenham, desarmam, deslizam, derramam e domão o desastre

da dor nas dunas disformes da dança

Passos e patas procuram as portas do porto da paz, da paz de seus passos

Prateados e pretos pintados os pêlos dos potros paridos à ponta das praias

Margeiam os mares e marcam a música sem muros do mundo movido sem medo

Vigoram os ventos varados de vozes vagantes a ver a volúpia vivida da vida voada

em vitória.

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Um não acabar de agosto

Que grande sofrimento esse agosto!

Que desencontros nesse agosto!

Tudo em mim é agosto!

O agosto ficou nas roupas que deixei perdidas nos lugares que visitei em agosto

O agosto veio comigo e entrou setembro sem querer saber de setembro

Minhas coisas são datadas de agosto.

Meus poemas, meus encontros, meus mortos muitos deles são de agosto

Os objetos que lentamente retiro da mochila da grande viajem têm cheiro de agosto

Me esqueci dos outros meses

Só lembro do agosto

Desse maldito tempo que cravou em mim seus trigais enfermos

Das palavras ditas ao telefonema inesquecível de agosto

Minhas lembranças são agosto e vivo esse gelado tempo em meus dias de agosto

Que mudem o calendário, não agüento mais agosto.

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Poema da espera

Não veio do fundo da noite

Nem do fundo da taça de vinho

Não veio do escuro

Nem das árvores enluadas de negro

Não veio do sol desenhado de fogo

Nem da chuva caída com raios na voz da noturna queimança de medos

Não veio da pedra silenciada em milênios

Nem do grito veio

Não veio da vida nem da morte

Nem do fumo ansioso em serenos

Não veio do trigo plantado na relva da terra vermelha

Nem do solo amarelo da lua

Nem do fósforo veio

Nem da fábrica de doidas palavras sem rima acabada

Não veio da fúria, não veio.

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Das senhoritas

Sempre há uma senhorita

Uma é muito ocupada com não sei quê, só dela tem dez mundos

Outra passa olhando dura e dura enquanto passa

E teima olhando reto como se negasse todas as paisagens

Fora da reta tudo é dela, mas ela não conhece

Outra é marinheira, vem arrumando o cabelo e finge falar ao

telefone com uma amiga que está para chegar mas não existe

E há a senhorita com sorriso cortês e olhos de tigra que passa prateando

Seus dentes são um colar dentro da boca

Eis outra que insinua vulcões

É bonita e impura, como o vento recolhe o mundo e depois larga a toa

Sempre há uma senhorita atrás das palavras de amor

E o poeta escreve para uma, para outra, para todas

Eis que chega uma senhorita na casa do poeta

Abraça o poeta, almoça o poeta, lavra as palavras do poeta

Depois some deixando os olhos do poeta à espera de vê-la de novo

E o poeta escreve, sonha e cuida ela vindo ao portão como nuvem de mundos.

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Aquele que sabe que sabe

Vem do fundo dos séculos a imagem encavernada

São ancestrais mastigando o que as mãos encontraram em veredas

Vem no sílex empedrado o sangue da caça pintada em memórias rupestres

Habitando silêncios vem o índex perdido nos ventos do tempo

Há raios guardados em brasas sob cinzas quentes

Paus de guerra…

Há coisas colhidas nos caminhos

Pontas de ossos de caça e de guerra

Metais derretendo nas longas fogueiras crepitando quimeras

Falares antigos nas bocas anciãs

Coisas do pão e da guerra

Do povo emigrando…

Ora era o fogo, ora era o trigo, ora era o ouro, ora era nada

Ora era o campo, ora a pirâmide, ora a igreja, ora era a fábrica

Ora era livre, ora era louco, ora era preso, ora era a farda

Ora na árvore, ora no solo, ora no mar, ora no muro

Ora eram flechas, ora castelos, ora navios, ora aviões

Ora era o soco, ora era a clava, ora o cavalo, ora uma bomba

Ora a memória, ora não lembro, ora os avós, ora era o pai

Ora a palavra, ora uma sombra, ora não sei, ora o que há.

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Lugar para pássaro

LAGOAVI 038

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