Portal – Por Chilo

MasticadoresBrasil

Tenho esse vão dentro do peito
Dentro o universo, milhões de galáxias
Canal por onde voa uma borboleta vermelha
Dentre tantas estrelas ela pousa
Bem em cima do peito
Com a boca vermelha de mulher lua
A borboleta vermelha finge adormecer
Seus olhos entreabertos fitam o abismo
Guardo silêncio, toco-a bem devagar
Conheço as forças que a farão voar de novo
Voar para o vão dentro do peito.

Poema de Odilon Machado de Lourenço

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Samurai – Por Chilo

MasticadoresBrasil

Entre paisagens de arrozais
Percorre a imponência do guerreiro
Missão e destino guardados na espada
Sua armadura, chance de ir mais longe
Seu coração, o caminho do guerreiro.

Poema de Odilon Machado de Lourenço

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Nuances

Vem dos seus olhos

Universos, luzes infindas

Seus braços regulam a órbita

Das mãos à sua boca há sete luas

Anéis iluminados circundam-lhe

Outros tantos de estrelas escapam-lhe dos poros

És mulher criadora de amor

Seus seios iluminam dois mundos

Dois portais lhe orbitam enraizados na luz.

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Criança que vai… by Odilon Machado de Lourenço

MasticadoresLab

Um dia a criança percebe seus olhos

Os olhares no entorno são dádivas da luz

Seus olhos vão pondo cores nas coisas

E seus lábios se abrem com sorrisos de pássaros

As crianças crescem de dentro dos olhos

Seus passos, uma corrida feliz nas retinas

Os olhos tomam cores próprias

A realidade salta aos poucos em vagares de garoa

Garoa que vai crescendo como os olhos da criança

Que logo nem tão criança vai à levar seus olhares

Suas buscas, seus caminhos, sonhos, seus olhos de liberdade

A garoa vai chovendo, por vezes turva os olhares

Embaça as cores da vida dessa criança crescida

que vai indo pela chuva escorrendo em seus olhares

Vai indo com calma e fé nas estradas e paradas

E quando a criança velha só correr em suas lembranças

Seus olhos serão dois pássaros voando em felicidade.

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Floresta rebelde by Odilon Machado de Lourenço

MasticadoresEcologia

Seio materno da Terra

Veias de rios na pele verde

Humanidade criança lhe apalpa

Instintivamente procuram sua seiva

Sobem árvores a procurar o seio

Mudam o curso de rios a procurar o veio

Rasgam a roupa verde dos seus olhos

Tateiam cegos seus mamilos que são tantos

Tombam árvores, tombam séculos, tombam índios

Tombam crianças cegas em brutais labaredas

Correm animais entre tocos, destroços, cinzas

E os seios a jorrar bando de pássaros

A jorrar sementes nas bocas famintas

Os seios a lutar contra os campos

A fazer nascer árvores, parir milhares de faunas

Os seios rebeldes a querer dinamitar máquinas

Rebentar correntes, esteiras, parafusos, fuselagens

Estraçalhar motosserras com o bico jato do garimpo

Fazer abrir os olhos da criança humanidade.

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a Fattori por João-Maria

MasticadoresBrasil

Der Turm von Magnale, 1980, Giovanni Fattori

Traduzir é uma tarefa pesada:
o que colecionámos do azul-escuro
entregámos à mágoa
como organismos peremptórios
e desgarrados.

O que colecionámos da mentira
estregámos à história, ou, nem isso,
aos nomes das coisas, que tão pouco
condensam de nós, e desse pouco
conjuram um nós fraco e incompleto
que apenas retornará a si
com uma herança de gerânios secos;
um legado de pensamentos evolados
e espraiados como lençóis já perfundidos
pelas auras frágeis do encarnado
que a história vai exsudindo
pelos seus braços pustuliformes.

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Terceiro olho – Por Chilo

MasticadoresBrasil

Abrir a flor da alma
Expandir amor, luz da alma
Dimensão de rios correntes
Cristalinas águas, vertentes de sóis
Força pulsante dos átomos
Poema novo quebrando a casca do ovo
Energia vibrátil do mundo eis sua nascente
Estrada aberta em gota d’água
Perfume exalando da sombra refletida da mata.

Poema de Odilon Machado de Lourenço.

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Sem destino – Por Ian Plat

MasticadoresBrasil

“Eles não têm medo de vocês, mas do que vocês representam.”
“Cara, pra eles só representamos alguém que devia cortar o cabelo.”
“Não. Pra eles vocês representam A LIBERDADE.”
“E qual o problema? Liberdade é legal.”
“É verdade. Só que FALAR dela e VIVÊ-LA são duas coisas diferentes. É DIFÍCIL SER LIVRE QUANDO SE É COMPRADO E VENDIDO NO MERCADO. Mas NUNCA diga a alguém que ele não é livre, porque esse alguém vai tratar de matar e aleijar pra provar que é livre. Eles falam sem parar de liberdade individual, mas quando vêem um indivíduo livre, ficam com MEDO.”
“Eu não boto ninguém pra correr de medo…”
“Não. Você é quem corre perigo”

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Rio Vermelho by Odilon Machado de Laurenço

MasticadoresLab

Hoy presentamos en MasticadoresLAB a Odilon, con el vamos conociendo a los 12 escritores que participarán en este blog. Odilon vive al sur de Brasil y es el editor de MasticadoresBrasil: una mente abierta, siempre a la busqueda de nuevas voces para darlas a conocer. Bienvenido! j re crivello

Não há nada na Estrada do Rio Vermelho

Não há muita noite nestas árvores ventadas de

escuro na Estrada do Rio Vermelho

Não há lobisomens, nem bruxas na Estrada do Rio Vermelho

Não há como ver o tempo no verde mar da Estrada do Rio Vermelho

Em algum lugar da mata não há nenhuma vida na Estrada do Rio Vermelho.

Não há multidões, nem automóveis na Estrada do Rio Vermelho

Somente um pensamento que fosse meu, eu queria na Estrada do Rio Vermelho.

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O gênio do celular – Por Chilo

MasticadoresBrasil

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O gênio do celular

Quando o gênio surgiu fora da tela
Uma estranha fumaça formou uma imagem
Delineada por diferentes tons de cores
Aos poucos via-se o contorno da metade de um homem
Dizia-se ser o gênio do celular
Não perguntou nada, apenas disse:
O futuro vai saindo em palavras
O futuro vai saindo do seu cérebro
O futuro são seus gestos, faça-os com amor
De repente dissipou-se como luz apagada
E cá no âmago o futuro tinha flores perfumadas de um laranjal e os sons da fauna feliz
Beijos ardentes da mulher amada
Águas límpidas correndo para o mar.

Poema de Odilon Machado de Lourenço

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a Repin por João-Maria

MasticadoresBrasil

Sleeping Cossack, 1914, Ilya Repin

A noite está temperada de parestesias; mil agulhas
como a morte de mil egos. Ela acaba e a manhã
já racha os dentes negros, os ares poéticos
desdobram-se e caem, flores d’um jarro
tombado.

O obliquo entardecer perfilha os rolos de luz
dentre as penedias. Temos de dominar o frio
para que os filhos não nasçam malogrados,
para que as coisas silenciosas não nos roam
estas mãos que serão não mais que mãos cheias
do silêncio evadido.

Há toda uma melopeia nas florestas: o sol,
de novo, abandona-me. O profundo orfanato
das coisas verdes. Agarra-me, noite,
já não tenho ninguém em mim,
já me morreram todos,
já sou um vazio inconsútil
num sonho desfigurado.

(este poema foi parcialmente inspirado em Boris Ryzhy e Osip Mandelstam, embora tenha sido largamente improvisado)

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Nota de repúdio (Tristeza do Jeca na cidade grande) – Por Ian Plat

MasticadoresBrasil

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“Chora minha viola, canta as minhas mágoas, que eu entoo em terça menor, sobre a base harmônica de uma sanfona, canto meu sentimento vago, misto de sofrer e de saudade do que ainda não sei”.

Ah, nosso imaginário compartilhado de brasileiros, felizes com um cantinho, puxadinho, coitadinho, tudo inho. Um dia de cada vez que nem doente, sobrevivendo mais um dia. De vez em quando vem o desconto na bebida, na mulher ou no cachorro, mas sempre com muito amor. Não fazemos muita ideia de como viemos parar aqui, na ilha Atlântica, não conhecemos nossa história nem estamos muito aí pra memória. A gente se satisfaz com uma mitologia rasa e muito vaga, baixa estima por nós mesmos, da nossa história (mas crescemos contra menino de rua, lgbt, pretos, gente mais pobre que nós, grevistas, ativistas, idealistas, fracos, indefesos e mal adaptados em geral). Somos memes políticos. Isso porque somos…

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Os dois mundos – Por Daniel Pissetti Machado

MasticadoresBrasil

CORTICEIRA 067
Quando fecho os olhos
Nem tudo são sombras
São vultos, cenas, luzes
Sincronizando-se mutuamente
Daí brotam os sonhos
São teus os dois mundos.

#DPM

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O primeiro plano das relações românticas Por Nicole Guimarães

MasticadoresBrasil

FOTOS PARA BLOG 079
Em http://www.entreconversaseflores.com
É só começar a namorar ou casar que todas as outras relações passam para segundo ou terceiro plano. Encontrei o amor da minha vida, espera aí que agora ele(a) é prioridade. Construí minha família, não tenho mais tempo para amizades. É tipo uma hierarquia dos afetos.
Vai dizer que isso nunca aconteceu com você? Ou acontece? Na nossa cultura, temos a tendência a colocar as relações românticas antes de todas as outras relações. O matrimônio, por exemplo, vem na frente de uma amizade de infância.
Existem amigos e amigas que vivem juntos há anos e não têm nenhum direito, só se assinassem um papel mentindo que possuem um relacionamento tradicional. Tem tantas mães solos por aí que têm seus amigos como sua família. Mas nem elas nem seus círculos de apoio são reconhecidos como uma união estável.
Sempre entro em parafusos quando vejo minha vida afunilando para 2…

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Dois mundos – Por Chilo

MasticadoresBrasil

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Há um quadro na parede
Olhares atentos observam a pintura
Cada olhar um retrato pintado na imagem
O pintor pincelou seus motivos
Sua vontade de externar sensações
Àqueles que admiram a pintura
Revelam para si outros símbolos
Como porta que se abre pra outro mundo.

Poema de Odilon Machado de Lourenço

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Por Pilar Sanchez

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A Formiga Faraó – Por Chilo

MasticadoresBrasil

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Quando os egípcios prosperavam para o céu
O Nilo era a metáfora do Sol, luz dos desertos
Pirâmides erigiam-se aos divinos faraós
Deuses e deusas reinantes do Egito
Debaixo da terra outra rainha reinava
Milhares de formigas lhe seguiam
Um nômade solitário observou os reinos
Homens, formigas, deuses, faraós
Todos têm sua importância, seus legados
Seguiu no seu camelo por dunas de areias
Seus olhos conheciam o caminho e sabiam do Sol.

Poema de Odilon Machado de Lourenço

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Lembrança indelével

Guardo em minha boca
Detalhes do seu beijo furioso
Seus lábios rosáceos deslizando-me
Sua língua macia no beijo
Guardo sua pele, canção de desejos
Rock’and’roll vertendo nossas veias
Guardo seu olhar de amor
Universo expandindo além estrelas
Seus leves gemidos apertando minhas mãos
Guardo no tato o mapa do delírio.

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Por Pilar Sanchez

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Lilith – Por Chilo

MasticadoresBrasil

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Mulher livre igual ao homem
Adão à desposou como mulher para Adão
Complacência era virtude de outras
Adão à expulsou do seu lar, do seu mundo
A mulher tornou-se serpente falante
Adão buscou em Eva a mulher para Adão
Eva segurou a mão de Adão e seguiram
Eva a mulher para Adão achava tudo lindo
Passeava no jardim colhendo frutas
Na macieira Lilith à espera
Enroscada, esperando o momento de dizer-lhe.

Poema de Odilon Machado de Lourenço

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