Riozinho

Hoje a luz do dia sorri nas veredas do rio

Sol anuncia voz de vida numa sombra de árvore

O tempo acolhe frutos doces regados de chuva

Borboletas florescem no ar como anjos em paz

Cantos de pássaros ecoam ópera ritmada de amor

Árvores anunciam floração em início de luz

Brisa leve sugere carinho na pele da tarde

Avivam-se os caminhantes na floresta da paz

Águas no regato dissipam desenhos para mar

Musgos recobrem pedras entre borboletas em flor

Árvores partilham sementes de frutos maduros

Plantas surgem do húmus nas cores dos brotos

Crescem ramagens por entre os pássaros em voo.

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Renascimento

PARA THAÍS CAMILLI, COM CARINHO E AMOR.

Plantei na terra sementes de amor

Cresceram poros regados de suor

Amores plantados em flores

Surgiram fauna de insetos e pássaros

Nasceram frutos da terra, do suor e da flor

Lindezas da vida arrancadas do amor

Tornei-me terra, ervas, pássaros…

Nas lonjuras a vida renasce da flor.

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Uma garota por aí

Ela me espalhou pelas estrelas

À noite olho para o céu para juntar-me

E não me junto

Quando amanhece vou-me à África

Tribos africanas contam estrelas durante o dia

Desde Ela, não durmo mais, apenas amo.

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Vento divino

 

Lá vem o kamikaze muito louco

Não sei se é Saburo, não sei se é Sakai

Sei lá o que vem, sei lá o que ai

 

Lá vem o kamikaze muito louco

Vem de frente, vem de ponta, vem rasgando

Vem de bomba!

 

Lá vem o kamikaze muito louco

Vem assim com muita pressa bombardeando

Vem assim buscando pouso impactante

 

Lá vem o kamikaze pilotando muito sério

Já sabendo que não volta, já sabendo que está morto

Gosto de saquê na boca, raiva nos dedos, convés nos olhos

 

Lá vem o kamikaze muito rápido

Fotografia preto e branco tremendo atrás do manche

Avião perdendo fuselagens, só não treme o kamikaze

 

Lá vem o kamikaze metralhando

Já sem bomba, já sem fuel, já sem vida

Queimando aço o kamikaze

 

Lá vem o kamikaze muito louco

De rasante vem queimando sobre o mar

Kamikaze fura casco, kamikaze dinamita

 

Lá vem o kamikaze missão morte

Explodindo, pondo fogo sobre o mar

Voa o kamikaze não querendo ser kamikaze.

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Metais na pele de um homem

AOS OPERÁRIOS E OPERÁRIAS DE UMA METALÚRGICA EM CAMPO BOM

Essa ternura metálica saindo aos olhos

Sensação de labor bem-amado como flor bem olhada

Pedaços duros arranhando dorsos de mãos enluvadas

Maquinarias vibrando pelo meio do tórax

Lodo metálico respingando uma dança de máquina

Ranhuras desfeitas na água uréica e vibrátil

Catarse metálica em giro de cosmos

Rachaduras soldadas no tempo e destino

Marcas de ontem ritmados de lutas

Caminha o verso pisando leve na elegante

trajetória do poema sem rima

Presto reverências ao amor mastigado com esmero

Já sei o que não devo esquecer nem deixar ausente

Sigo olhando sorrisos com desejo de pássaros

Vejam!

Olhares trazendo a lua ao meio da tarde

Teremos paz nesse dia convocado de azul

O sol reinará em nossas frondes

Sentemos à mesa farta e digna do amor

Nesse instante juntemo-nos com alegrias no peito

e sorrisos nas bocas

Jesus, caro amigo, traga mais água

O vinho já temos um pouco.

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Velho Francisco

          À FRANCISCO CABALHEIRO LEITES

Face ao teu leito imemorial venho bebê-lo

Venho de arredores e caminhos longínquos

Comunico olhares escorrendo em suas águas

Junto-me a vós canoeiros de antigas passagens!

Junto-me a vós pescadores margeados das águas!

Guerreiros das tribos caminhantes do sertão, junto-me a vós!

Olho meus olhos nos seus olhos como pequenas sombras

das nuvens no céu

Navegantes me contaram sobre vós, águas tão grandes…

Velhos capitães de lugares distantes liam sua cor ao fim das tardes

Jamais lhe visitaram!

Nem mesmo em segredo sentiram sua brisa

E sabiam como fluías para fora da terra a generosa força do seu vórtex

Disseram-me os ancestrais, partes desse entorno brindado no agora

E as sensações transitam no belo, na luz, em selvagerias, magias…

Horizontes para todo o Cosmos!

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Caminhada para dentro

Esse mar aqui do lado

Esse mar vem chegando à todo instante

Águas vindas desses ondes espumados

Horizontes de jangadas e cargueiros

Nuvens mais ventadas, mais distantes

Rios com menos águas

Sertões lavrados de palmas

Espinhos, pedras, sóis…

Árvore marinha rebentada na pedra

Do fundo esverdeado dessas águas

Guardam teu sal mãos agrestes

Leitos de pedras nascidas da terra

Como frutas de coqueiros

Leitos quase secos que dão mar

Mar que chega aqui do lado revirado de verdes.

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