Velho Francisco

          À FRANCISCO CABALHEIRO LEITES

Face ao teu leito imemorial venho bebê-lo

Venho de arredores e caminhos longínquos

Comunico olhares escorrendo em suas águas

Junto-me a vós canoeiros de antigas passagens!

Junto-me a vós pescadores margeados das águas!

Guerreiros das tribos caminhantes do sertão, junto-me a vós!

Olho meus olhos nos seus olhos como pequenas sombras

das nuvens no céu

Navegantes me contaram sobre vós, águas tão grandes…

Velhos capitães de lugares distantes liam sua cor ao fim das tardes

Jamais lhe visitaram!

Nem mesmo em segredo sentiram sua brisa

E sabiam como fluías para fora da terra a generosa força do seu vórtex

Disseram-me os ancestrais, partes desse entorno brindado no agora

E as sensações transitam no belo, na luz, em selvagerias, magias…

Horizontes para todo o Cosmos!

Anúncios
Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Caminhada para dentro

Esse mar aqui do lado

Esse mar vem chegando à todo instante

Águas vindas desses ondes espumados

Horizontes de jangadas e cargueiros

Nuvens mais ventadas, mais distantes

Rios com menos águas

Sertões lavrados de palmas

Espinhos, pedras, sóis…

Árvore marinha rebentada na pedra

Do fundo esverdeado dessas águas

Guardam teu sal mãos agrestes

Leitos de pedras nascidas da terra

Como frutas de coqueiros

Leitos quase secos que dão mar

Mar que chega aqui do lado revirado de verdes.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Vista

Linha horizontal de mar e céu

Linhas de areias beijadas por algas

Linhas de calçadas tortas

Linhas de ruas entrecruzadas

Linhas de edifícios quadriláteros

Linhas de antenas acima dos edifícios

Linhas de voos aéreos em viagem

Aviões, pássaros, pensamentos

Linhas de mosaicos enfileirados de imagens

Linhas de tijolos, amurando, sufocando margens

Linhas para pôr tudo do outro lado dos muros

Linhas telefônicas ouvindo distâncias

Linha de trem ultramoderno trilhando a cidade antiga

Linhas de estrelas brilhantes no escuro da luz

Linha de eclipse penumbrando dimensões celestes

Linha de seda roída nas amoreiras encasuladas de verde

Linhas de ônibus transportando pensamentos cansados

Linhas de versos juntados para o amor.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Beijo

Gosto de tuas entradas assim como flor beijada por pássaro.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Poema de Amigo

Quando vinhas contava sobre relvas

Estradas perdidas nos campos da pampa

Caminhava nelas por tua voz desenhada de cores

As palavras indicavam o traço das cousas.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Nalua

Luana nalua

Luana nua na rua

Nua não de corpo, mas de “zóio”

Luana decolando para a lua

Indo rápido demais na rua

Levando o corpo todo feito a mão

Cada passo é uma invenção

Um segredo, um enredo, uma valsa

Luana inventando outra lua

Mais deserta, mais quente, mais pura

Uma lua sempre escura

Guardada no espaço da rua

Luana Nalua para ninguém ver.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Floresta Branca

Securas crescidas da caatinga

Rachaduras do chão retorcido de galhos

Árido caminho branco

Securas, pedras, chuvas de sóis

Espinhos cravejantes espinhão o sertão

Pau seco, leito seco, sonho seco o sertão

Sertanejo encourado no couro de boi brabo

Sol aquecendo chão rachado com flores

Cada sombra uma prece ao céu e seu criador.

Publicado em Uncategorized | 2 Comentários