Ah! Mar… – Por Daniela Terehoff Merino

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Desenho de Cláudia A. Terehoff Merino.

Ah! Mar…

O que os move é a vontade de chegar.
Vestidos para a grande festa no porto em frente, ambos navegam sem olhar para os lados, apenas querendo encontrar o mais rápido possível o seu destino para ver os fogos de artifício do início ao fim.
O mar calmo, porém, trava seus corpos, juntando-os.
— Ah! Mar… Por que ages assim, empurrando-nos tão devagar e para longe da festa?
Obrigados a trocar olhares enquanto esperam, enamoram-se os dois. O céu harmônico a iluminá-los, sorriem, não desejando agora outra festa senão esta que os invade em seu íntimo.
O tempo passa e o mar, revolto, move seus corpos outra vez, separando-os.
— Ah! Mar… Por que ages assim, empurrando-nos tão rápido e para longe um do outro?
Obedientes ao capricho das águas, os dois não podem senão seguir adiante.
Vão outra vez em direção…

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Laranjeiras – Por Mozileide Neri

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Laranjeiras

Tem rio comprido,
ruas estreitas,
e uma praça sem sossego.

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evangelho capitalista – Por Ian Plat

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evangelho capitalista

Depois, o Diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E disse-lhe: ‘Tudo isto te darei se te prostrares e me adorares’. Jesus lhe disse: ‘Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus, e só a Ele preste culto'” (Mateus 4, 8-10)

e Deus criou a propriedade privada
e viu que a economia de mercado era boa
e foi manhã do primeiro dia da semana inglesa
o verbo se fez capital
e gritou alto na bolsa de valores do Jardim do Éden
“Adão, o que te impede de investir em teu futuro?
multiplicai tuas reservas
lucrai com a exploração
do suor no rosto dos teus irmãos
menos competitivos,
coitados”
o fracasso é coisa do diabo
que ama os não-esforçados
o sistema é justo e não falha
primeira e única religião universal
dos templos…

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No melhor dos tempos – Por Jenis

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No melhor dos Tempos

por Jenis

Prego armadilhas dentro das minhas verdades, calculo o tempo que vou usar para entender se estou chegando perto. Êxito em avisar-me para não perder a graça e, no fim, acabo presa no quartinho sem janelas pensando que já vi isso antes.

Quando o jogo acaba e me ponho a sonhar, sinto enfim o calor de quem nunca realmente vi, me encarando em azul celeste – tão fundo que falta um sopro para que eu mergulhe feito em banho de mar, suma e me afogue em você.

Chegue com esse sorriso pra lá de mim, pois quando passar um, dois… já fui, e é impossível voltar a sonhar. Acredite, pois já tentei voltar pra dentro de ti. Não volto, mas você também não sai mais.

Entendi que é você que não sai mais.

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Ele só escreve – Por Daniel Pissetti Machado

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Ele só escreve quando provocado, mas sempre foi impossível calar as memórias. Foi repetido a exaustão que tudo existe simultaneamente. Onde há memória há matéria. Quando a magia se mostrar disposta, você estará em uma das duas beiras do mundo. Exatamente na metade. Acontece frequentemente com os amantes. Nada mais importará e tudo dependerá daquilo. É bem paradoxal. A vida tem duas caras meu amigo, mas nesse momento, você não precisará se perguntar se do lado reverso, você também habita seu universo. E isso é bom.

DPM 18:39

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Enfim virei inventora – Por Priscila Monteiro Santos

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Enfim virei inventora. Por Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Na verdade querido, inventei-o, palavra a palavra e como só eu existia, não nós, é claro que o busco na minha caixa de mensagens e nenhuma mensagem sua aparece, acontece, que imaginava suas palavras e elas chegavam até mim, materializadas, mas agora, não posso mais imaginá-lo e não há mais tantas palavras.

Inventei um homem lindo, quase perfeito, com quem casaria e teria todos os filhos que Deus quisesse, inventei um amor puro, que nos unia e nos separava na medida exata como fazer uma prece certa. Inventei o mar, quando queria me calar e inventei de que amar era pouco para tudo que seríamos, inventei que se inventasse cada frase sua então você nunca me deixaria. E inventei também que no fim você era bom demais para mim, bom demais para me aguentar, mas dessa vez não inventei uma fuga, o…

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Praia da Urca – Por Mozileide Neri

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Praia da Urca

Água abraçada,
tocando em mim.

Mergulho salgado,
molhado de mar.

Calor amenizado,
se soltando de mim.

Mozileide, Neri. Azul alaranjado. Rio de Janeiro: Luva Editora, 2021.

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versículo apócrifo – Por Ian Plat

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versículo apócrifo

e o Senhor
entre bocejos
disse:
“vai lá e te vira!”
e vendo que sua obra
estava acabada
virou pro lado
e voltou a dormir profundamente
fim

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A Estória é a mesma – Por Daniel Pissetti Machado

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Uma revolução global. Escondida magnificamente defronte aos seus olhos. Lenta e gradual. Meticulosamente arquitetada e executada. O maior segredo do mundo. Uma bela Estória! Vivemos apenas para contar Estórias, meu amor. O destino da humanidade é uma fórmula muito bem administrada pelas instâncias desconhecidas de controle. É bom crer. É tudo imaginação.
DPM

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Do adeus ao que não foi – Por Odilon Machado de Lourenço

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Do adeus ao que não foi

Não sei mais que dia foi aquele
Lembro apenas que era outubro
Foi meu último tempo naquela cidade
No meu cérebro ribombavam morros, muros
Assim, no meio de tanta encosta
No vórtex de um furacão com nome de mulher
Me esgueirando, lutando para vir à tona
Forçando todas possibilidades de músculos
De algum modo advindo num encantamento estranho
Ela fixava olhares nos meus olhos e sorria
Então fui embora levando a tempestade
Que agora era só minha, não cabia nome
Apenas trovões, águas em massa
Talvez nos destroços do aniquilamento
Em alguma náusea expelida
Ou no resquício da memória dos seus cabelos negros
Compridos como lanças espartanas
Me encobriam por cima do tórax
Por algum motivo eu ainda vivo
Procurava o coração fora do corpo.

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Por hora – Por Priscila Monteiro Santos

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Por hora… Por Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Viajei minha história inteira atrás de mim, me encontrei em alguns espelhos, tal narciso quis ser, me encontrei noutros eus, que não eu, mas que pareciam ser meus, me encontrei um tanto em Deus, porque Ele assim o quis e assim deixou.

Perdi-me em tantos lugares, quais já não saberia voltar, deixei a vida acontecer e o tempo cumprir seu dever, deixei de ser quem queria e passei a ser quem era, deixei de querer que tudo fosse como queria, e vivi com o que havia. Vi gente que amava me odiar e vi quem nem sabia me amar, vi o mundo de pernas pro ar e descobri que eu é que andava de ponta cabeça. Quis ser princesa e construir uma fortaleza, sonhei ser rainha e ter ao meu lado sua alteza, quis ser mulher e descobri que ainda era menina, quis…

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O beijo – Por Daniela Terehoff Merino

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Desenho de Cláudia A. Terehoff Merino

O beijo

Pequena e frágil, se esticando inteira
Tem sede da vida em seu reflexo avesso.
Os braços inclinados,
O corpo em plena beira…
Beija seu mundo através de um rio espesso.

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Alto Leblon – Por Mozileide Neri

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Alto Leblon

Sobre os olhos,
um mar revolto.

Sobre os lábios,
sorrisos soltos.

Sobre a pele,
um desejo novo.

Mozileide, Neri. Azul alaranjado. Rio de Janeiro: Luva Editora, 2021.

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Não falta mais nada – Por Daniel Pissetti Machado

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As coisas evoluirão de tal modo que, automaticamente, após a postagem ser feita, os Algoritmos checadores entrarão em ação. Sua Programação é resultado de um complexo mix de interesses. Além governos. O que for considerado ofensivo ou criminoso, será punido no mesmo segundo, tendo seu processo judicial iniciado. Tudo pré-programado. Ou tudo será substituído por, na falta de uma palavra melhor, multas. Quanto mais verdade tiver a manifestação, mais cara será para tirá-la do ar. São dois cenários possíveis. Não falta mais nada.
DPM 19:25

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A matéria by Hang ferrero

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Poesia é a força motriz de todas as coisas. Vê?

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Viver no futuro – Por Priscila Monteiro Santos

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Viver no futuro. Por Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Sobre jogar coisas fora, entre as coisas estão dispostas também as palavras… queria guardar uns e-mails… mas fui pensando pra que? Pro futuro? Ah por Deus, todo mundo sabe que a gente não volta pra ler… não imprime e guarda na cabeceira da cama pra quando der saudades ver, então, pra que? Mas mesmo sem nenhum fundamento ainda existem “coisas” que nós somos tentados a guardar.

De qualquer forma, conclui o obvio, o que importa são os momentos que foram vividos com essa ou aquela pessoa, as palavras que tocaram nossos corações por algum motivo, ao vivo ou de alguma outra forma, mas mesmo que apaguemos das caixas de e-mails, ou mesmo joguemos fora das caixas da adolescência, estarão conosco dentro da nossa historia, porque de alguma forma nos marcaram e no fim é só isso que podemos levar sempre… é só…

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Engenhão – Por Mozileide Neri

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Engenhão

Quando não tem jogo,
as janelas têm sossego,
e as ruas ficam mais calmas.

Mozileide, Neri. Azul alaranjado. Rio de Janeiro: Luva Editora, 2021.

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Por Daniel Pissetti Machado

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A verdade é que algumas músicas me levam a você, meu amor. Isso não quer dizer, em absoluto, que eu goste delas. Não as coloco para tocar simplesmente. Eu as absorvo. Geralmente elas surgem mais tarde. Em telas de outros dispositivos. Nas ruas. Nas frequências de rádio não ouvidas. Elas existem simultaneamente em algum tempo-espaço. Segundo uma lenda antiga o que mantém a realidade é a repetição, ao infinito, de um feitiço ancestral. Ninguém sabe muito bem como começou, mas é preciso continuar. Nesses tempos temos diversos candidatos à Avatara, mas uns são mais Avatares que os outros. O fato é que eles estão ali. Como você. Todos os poetas desta cidade, dizem coisas boas sobre teu nome. Nada existe. Existindo tudo.

DPM 12:34

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A incrível roupa do homem do primeiro andar

Olho a cidade a mover mãos
Braços multiplicam-se
Picaretas estilhaçam muros e adentram
E outros obstáculos montanhosos surgem
Mais braços chegam para cavar
Cavam, cavam, cavam!
Ignoram ouro, diamantes, metais desconhecidos
Procuram um olhar, talvez um coração
E novos muros de aços advindos de lugares distantes surgem do chão às estrelas
E fossos minados se alinham aos muros
Braços de outras cidades juntam-se para cavar
Cavam, cavam, cavam…
Estranhos materiais geológicos vão sendo rompidos
E a matéria flexível ainda coberta
Cerne impenetrável, resíduos meteóricos, elementos químicos inominados
A dureza quebra ferramentas, cansa todos os braços
Não há como romper por fora.

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Boneca Russa – Por Daniela S. Terehoff Merino

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Desenho de Cláudia A. Terehoff Merino

Servirei para algo no fim das contas?

Olhos cintilantes, sorriso delicado, capa vermelha e justa a esconder os seus bracinhos aparentemente inexistentes: a sétima e última das bonecas russas acaba de florescer!

Vinda após cinco outros nascimentos, a pequena Matrioshka de cabelos ondulados e bochechas coradas observa o mundo ao seu redor.

Como é grande…

Como é lindo…

Como foi bom ter vindo parar justo aqui!

Ao seu lado há mais seis bonecas iguaizinhas a ela, todas enfileiradas e sérias, muito sérias… “Por que estarão todas assim, com uma cara tão brava e os olhos fechados?”, pensa a pequenina. A seguir, resolve perguntar a todas as outras, uma a uma, o porquê de estarem desse jeito, cerradas para um mundo tão vasto e bonito.

“Ora, menininha! Porque já fiz o que vim ao mundo para fazer.”

“Dei à luz outra igual e acabou: é…

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