Assombro by Lívia Natália

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Assombro

Num dia como este
de chuva uterina,
meus pés dançam belos
no equívoco dos sapatos novos.

Esta sou eu, em ledo engano:
enfeitando o mal, o errado,
e as ausências do mundo
com meus pés pouco delicados.

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Apneia voluntária

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

por Jenis

Perverso 
Se sufoca por exagero 
aperta sem medo de morrer
e quando já não dá mais 
solta 
solta como quem diz te amo 
mas se morre já foi 
se mata não se lembra mais
depois que solta pensa que acabou 
e faz de novo 
um aperto de corpo próprio
com medo de outro 

                          um ataque qualquer 

com maior medo de si 

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Cerro do Ouro by Odilon Machado de Lourenço

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Ali é o Cerro do Ouro Lugar que pegou o nome por ter ouro sobre o poncho Num tempo de não sei quando porque o tempo se esqueceu Num floreio de carreira tão logo atada a aposta sobre um poncho tilintava moedas cunhadas à ouro para o jogo dos cancheiros e prata pra gurizada Depois de feito o arremate não se voltava pro início Cancha reta, campo aberto e pingos que não abriam Carreira é sempre carreira Nem sempre o pingo mais bueno levava o ouro do poncho Muito jóquei muy ligeiro corria surrando bem e cruzando ao meio pescoço no final da cancha reta voltava em marcha ladeada Depois da poeira sentada outras moedas no poncho Outra parelha se vinha e ali seguiam joquiando Muita ponta de gado foi vendida pra carreira Algum pedaço de campo virou ouro ali no Cerro E até talvez algum sinuelo ficou ponteando outra…

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Que mistério tem Madalena?

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Por João Silvério Trevisan / Itaú Cultural

Na peça Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams, a personagem Blanche Dubois, deslocada no mundo, entrega-se aos enfermeiros que vão levá-la num furgão para internamento manicomial e comenta, com pungente melancolia: “Eu sempre dependi da bondade de estranhos”. Essa cena inesquecível me ocorre a propósito de Madalena Schwartz, que eu conheci através do seu filho Jorge, quando moravam no Edifício Copan, em pleno centro da capital paulista. Acho que ela ainda mantinha sua lavanderia/tinturaria numa ruazinha próxima. Era uma mulher de baixa estatura, olhos apertados e brilhantes, detrás de óculos de grau, e um jeito peculiar de sorrir. Sem nunca perder o sotaque argentino, parecia oscilar entre o desejo de confiar e o receio de se entregar a estranhos, como se guardasse segredos inacessíveis a qualquer um. Acho que conheci suas fotos inicialmente através do próprio Jorge, em meados dos anos…

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Porque me acumulas de ti by Naomi Lustosa

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Série “meu rosto me é mais estranho que meu íntimo”, 2021, Naomi Lustosa

Porque me acumulas de ti
Me enche as tripas, a cabeça e os olhos
Me faz querer encontrar em tão forte golpe a minha mão com uma parede

Porque me acumulas de ti,
Desse desejo excesso,
Dessa loucura entuchada num vaso de cristal,
Canso de correr nas sangrentas veias em mim
Canso de pausar na inércia do meu sono

Porque me acumulas de ti
Como insana, perambulo
Como vagante, enlouqueço

Por que me acumulas de ti?


Bio///

Naomi Lustosa

Artista Visual e Teatral, Escritora e Arte-educadora. São Paulo, SP, Brasil

Artista e arteira, nascida na terra onde o sol queima, encanta e frutifica. Floresço no Teatro e nas Artes Visuais, onde sou Ser criativa e criadora, e registro em poesias aquilo que não cabe mais em mim. Alguns trabalhos meus podem ser encontrados no instagram @naomi.lustosa e…

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Assombro by Lívia Natalia

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Num dia como este
de chuva uterina,
meus pés dançam belos
no equívoco dos sapatos novos.

Esta sou eu, em ledo engano:
enfeitando o mal, o errado,
e as ausências do mundo
com meus pés pouco delicados.

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Hang Ferrero: 100 poetas brasileiros

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

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A MasticadoresBrasil terá o prazer de publicar 100 poetas nos próximos 100 dias. Nós convidamos você a ler e compartilhar com seus amigos. E aproveite esta experiência interessante.


Hang Ferrero : Barbarie

alguns dos meus versos,
foram bestialmente decapitados,
no paço–herético–municipal.
ainda podem ser vistos por lá,
no lóbulo frontal da guilhotina.
sobrou pouca coisa da
utopia no passeio público,
e estes pularam escondidos,
protegidos por colchetes,
por entre páginas violentadas.
os usurpadores atacaram
covardemente; primeiro a liberdade
e depois, o concretismo.
pseudos, restolhos, ruídos;
entregaram os meus versos.
são o que são agora.
escondidos lá pras lonjuras
de eu-lírico-amordaçado.
fugiram o ancião e a estética.
fugimos da poética; eu e a arquitetura.




Hang Ferrero

  • Criador das performances poéticas “Casa de Ferrero Espetos de Pau” e “Origens”.
  • Membro Correspondente Internacional da Academia de Letras do Brasil/Suíça.
  • Membro Imortal da Academia de Letras de Balneário Camboriú/SC.
  • Fundador e primeiro diretor…

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A vida é breve by Nicole Guimarães

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Foto autoral. Ruas de Paraty / Setembro, 2021

Nicole Guimarães blog

Eu não tinha convivido tanto com a morte como nesse último ano. Foi meu avô, pai de grandes amigas, chefe/amigo e mais pessoas queridas de outras pessoas queridas. Embora saibamos que a morte é para onde todos nós vamos um dia, é complexo conviver com ela e todas as dores que ela traz.

Pensar na brevidade da vida revira as memórias, os afetos, aperta o coração. É esquisito aceitar que as pessoas que amamos partirão um dia. Até a pessoa mais preparada espiritualmente e/ou psicologicamente sente. Temos sangue correndo nas veias, coração batendo no peito, emoções por debaixo da pele.

E o que a gente faz com essa única certeza que a gente tem? Vive. Não há mais nada a fazer a não ser viver. Entregar-se para essa aventura que é a vida e viver seus mistérios de braços…

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Demais pra si by Jenis

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

E,
se no espaço
agora se faz parte,
com nome e 
endereço, 

carcaça de natureza 
é abençoada através da 
luz

e agrega ao fim
mais uma parte 
mais um pedaço

vira vazio de cheio
vazio de si
vazio de só 

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Sinfonia de Saudade by Jenis

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Tenho uma música pra cada amor 
aguardando e ressoando em cordas 
elas pintam uma graça e fazem eu querer dançar
E eu danço

Me entreguei aos sons 
mais palpáveis que os paixões
sóis e luas passada de minha vida 
deixadas somente para a nostalgia
para a saudade que grita em mim

Mas não me engano
prefiro andar com as canções de companhia
do que com as amantes e os amores perdidos 

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Visões… by Miriam Costa

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Por Miriam Costa & Cronicarte blog

Bendita visões daquele que encontrou sua alma brotando da terra, enquanto o céu, formoso arquiteto, construiu um berço de estrelas para todos sem teto.
Benditas visões de esperança transformando o caos em risada sem gênero, tempo de justiça é para todos os momentos, à espera do grito de força que só virá de dentro! 
Bendita a narrativa do alto de uma montanha e as fotografias de mulheres imortais que transbordam dela, enquanto os textos com lógica são pendurados num cabide!
Ácidas visões de quem chorou por acreditar nas estúpidas crenças alheias, que mais parecem vingança do que finezas e as visões de perseguição fazem parte dessa solenidade, então um breve espaço de agonia e incômodo diante da muda interrogação!
Benditas as pessoas que foram recuando entre as paletas de tintas, que lavavam os remorsos por tudo que deixaram acontecer em suas vidas e suas…

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Inerente by Jenis

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

As vezes queria que só parasse
parasse de parar 
parasse de querer
parasse de poetizar 
Mas
não usar de palavras para entreter
é impossível pra quem é 
pra quem almeja todo dia na-ser 

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Meu coração não é gaveta. by Miriam Costa

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

PorMiriam Costa & Cronicarte

Não guardo as sobras do que eu costumava ser.
Não guardo os descaramentos de quem fingiu me entender.
Não sou de castidade nem só decência, isso é perda de tempo, ângulos irreais!
Nem é preciso ter saudade da dúvida, que escondia os segredos carnais à flor da pele.
A vida se encarregou de relevar sua bula!
Não tenho tempo para elaborar mais jogos emocionais, já cheguei à maturidade dos meus quarenta e poucos anos.
Dane-se a questão de maiúsculas ou minúsculas, lá no fundo as teses guardadas são outras, por cima, papéis que descrevem gestos extintos que traziam sorrisos para a minha boca.
Meu anônimo às vezes forçoso, para me restituir o ser e em ser me suprir do tédio com música, poesia, pintura, pôr do sol eterno!
Não guardo questionamentos políticos histéricos que não me interessam.
Não guardo ligações de fantasmas que eu mesma…

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“Estamos à mercê da cultura que nos é empurrada goela abaixo por gente que nem intelectualmente interessante o é, de que somos um País pobre, sem compromisso”

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Cinco perguntas ao poeta Hang Ferrero – por Afonso Nilson

Hang Ferrero é um poeta que além de escrever livros, declama seus textos com grande competência em saraus, shows e eventos de poesia. Profissional da saúde, leitor contumaz e heterogêneo, aborda em seus poemas e crônicas fatos de seu cotidiano e a experiência da fragilidade da vida.

Seus vídeos de poesia tiveram grande repercussão na internet, aproximando e atraindo leitores para suas obras. Sempre com seu humor ladino e com um poema na ponta da língua para as mais diversas situações, o poeta vem ao longo do tempo somando parcerias as mais diversas, e hoje, em seus saraus, a participação de DJs, profissionais de cinema, músicos, e de vários outros artistas é uma constante.

O poeta também leva habitualmente seus textos à várias escolas, trabalha a poesia e o amor à literatura com os alunos. Viaja par vários festivais e…

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Brasil! by Hang Ferrero & j re crivello

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Olá Juan. Dias difíceis por aquí

Hang Ferrero

Este escueto mensaje de un gran poeta brasileño, me recordó que esta Pandemia nos cubre de dificultades, de dolor, de sorpresas ante las dificultades diarias. Brasil, una gran sociedad, libre, animada, llena de la sabiduría ancestral que pasa un mal momento. Podría echarle a la culpa a su presidente y sería una parte (pues coquetea con la muerte y el dolor) Nosotros aquí en España lo podemos contar (estamos en la 5Ta ola). A veces nos tocamos la cara para saber si esta lucha diaria es real o somos una aventura imaginada en Netflix. En MasticadoresBrasil aparece continuamente el arte escrito en estas condiciones, de soledad, de dificultad de solidaridad.

Amigos de Brasil, ¡fuerza! Les dejo un escrito de Hang Ferrero. Seguimos J re crivello (ver texto en portugués abajo)

Texto pandêmico | diário de bordo uti 80% SC by Hang ferrero

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Mundo azul – Por Daniela Terehoff Merino

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Desenho de Cláudia A. Terehoff Merino

Mundo azul

Certo dia, ouviu a frase: “Azul é a cor mais quente” e ficou fascinada. Resolveu testar. Acendeu uma das bocas de seu fogão e comprovou:

  • Não há dúvidas: azul é a cor mais próxima do centro. É onde o calor se faz mais forte…
    Foi então que teve uma ideia: fez um desenho e pintou-o todo de azul, esperando passar sentimentos calorosos com ele. Mas tal como o caso do chapéu-jiboia-elefante do Pequeno Príncipe, nenhum conhecido o entendeu. Por mais que a desenhista explicasse, todos só viam ali, em seu desenho, características como timidez, frieza ou solidão.
    “Que estranho…”, pensou ela, “Se o azul é comprovadamente uma cor mais quente do que o laranja ou o vermelho, então por que o meu desenho não parece ser o que esta cor representa, mas aparenta justamente o seu oposto? Por que ela parece tímida…

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Poesia de banheiro -Por Jenis

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

Poesia de banheiro

por Jenis

A silhueta em luz branca da porta

a única conexão com o fora

O fora que é todo ao contrário

seco, luminoso, aberto

Não, senhor,

eu prefiro o dentro, muito obrigada.

Fico, com agrado,

junto às minhas cerâmicas quadradas

a luz queimada

e o chiado que me lembra chuva.

Canto pois ninguém me vê

danço apertado

com a energia de minha pele quente

e imagino…

O que se passa por detrás das frestas brancas,

onde o mundo não é só meu

onde o privado já se perdeu?

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A sinestesia do afeto – Por Priscila Monteiro Santos

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A sinestesia do afeto
por Priscila Monteiro Santos (priscmonteiro.wordpress.com)

Ele olhava os olhos da garota em sua frente, mas não enxergava nada. Sentia o cheiro do seu perfume, mas não reconhecia o odor, ele, tocava em sua pele, e nada podia ser acionado para reconhecer a sensação; ela por sua vez, via na cor dos olhos dele o céu, sentia através do ruído da sua respiração o gosto do seu beijo, e como era quando ele a tocava, ela nem se quer precisava estar no mesmo ambiente que ele para percebe-lo, ela sentia uma espécie de calafrio e de alguma maneira sabia que ele tinha acabado de acordar, havia sido assim desde que eram crianças, ninguém precisava avisa-la quando ele adentrava um espaço, de alguma maneira ela o sentia chegando a quilômetros.

Ela sabia dizer sem olhar até para qual direção ele estava olhando. Alguns chamariam tal proeza de encontro…

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Minhas cidades II – Mozileide Neri

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Minhas cidades II

Macapá não te deixa ir embora,

o calor de Palmas aquece todos os tipos de pele,

em São Luís os azulejos portugueses

não falam brasileiro.

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As estrelas são falsas – Por Daniel Pissetti Machado

MasticadoresBrasil/ 100 poetas brasileiros

As estrelas são falsas, meu amor. De algum modo elas foram colocadas lá. Mas não são somente elas que mentem a você. A mesma grande estória vem sendo recontada. Há gerações. Estamos no capítulo final. Deve durar uns 5 anos ainda. Vivemos apenas para contar estórias. Você vive momentos. Fuja das multidões. Ilumina a ti. A terra é um Plano, não é um planeta.
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