Utopia – Por Odilon Machado de Lourenço

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Utopia

Lá na volta da curva as flores se espraiam
Perfumam um bosque estendido em verduras
Lugar singular na beleza, estreita lindeza na volta da curva
Cantam cascatas ressoando nas matas os uivos das águas
Na volta da curva, alguém chega lá?
Caminham, caminham no corpo da estrada os rumos de lá
De encontro vem pássaros trazendo o encanto das coisas do ar
Aqueles que sonham à curva se entregam
Caminham e chegam ao lado de lá.

Autor: Odilon Machado de Lourenço

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Exú Tiriri Lanã. Por Odilon Machado de Lourenço

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Exú Tiriri Lanã

Quando bate os pés no chão a mata treme
Como se fosse um tambor infiltrado na noite
O fogo das velas não lhe queimam as mãos
Nem sua língua se afeta com o toque da chama
O fogo é seu elemento num corpo que queima.

Autor: Odilon Machado de Lourenço

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Esperando a hora certa

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

por Jenis

dois, três, 
quatro e nem sei mais quantos 
já passaram depois que o amarelo do casaco
se fundiu ao amarelo da cadeira
a espera não um trem
mas uma marca do grande relógio
quem vai à estação 
para não embarcar em nada? 
mais um passando!
Júlio Prestes. lotado
bloqueiam por alguns segundos 
a parede de tijolos e janelas de enfeite 
que tenho copiar
janelas de enfeite 
uma passageira de enfeite 
ninguém vai à estação pra esquecer
opa, 
esquecer 

que palavra que não desgruda da caneta!

eu quis dizer 
esquecer
NÃO! 
ESCREVER!
ah
finalmente… 

Relógio bateu 
tenho que ir 

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Decantamentos by Odilon Machado de Lourenço

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

PARA ITAPUÃ. As águas dos dias escorrem para o cimo crepúsculo Ventos levam os ares do sol ao outro amanhã Auras viram ondas a cair sob as sombras Vultos adentram a simbiose da noite Em alheio sentido danças acontecem Um turbilhão invade devaneios em cheios mares de luz Há um ajustamento de loucuras no silêncio dos redemoinhos das águas O círculo no seio da vida aniquila temores Afundam-se navios carregados de angústias No desalinho das curvas afogam-se séculos Âncoras caladas no sempre observam ocasos Ali peixes guardam desconhecimentos eternos As marés ficam confusas A queda das águas mergulha desconhecidos vazios Inundam o leito escuro dos vales Vão as águas ao recuo das marés Cobrem pedras caminhos de musgos As águas dissolvem-se nos tons dos meus olhos O coração arranca voos que giram a viver e a viver… A leitura das águas fulmina retinas Deságua o silêncio Ventos alcançam pedras ao…

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Texto pandêmico | iorubá by Hang Ferrero

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

pra me afastar um tanto dos sete escudos do meu canto, encaixo um zumbi (do) nas orelhas. tudo feito pra ficar bonito; brinco(s), de estrela.

pra saída; o raiar o dia: bom pra dar de língua presta vida, até o bocejar do anoitecer e, pra funcionar bem certinho, sem grilos, sopro fininho, uns cânticos que apontam todas as galáxias da minha pele das areias do amar.

próximo passo: melhorar as próprias caretas quando canto em si, pra afastar os outros caretas de mim e pra que saibam: hoje, reajo afeito à barba por fazer de ontem, fazendo bem cuidada, a minha escuta, dos mesmos louvores que festejam o amor em iorubá.

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Microconto: Os três bules 

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Fotografia cedida por Lúcia Lopes

By Daniela S. Terehoff Merino (@daniterehoff) 

Eram três bules vivendo há tempos nas prateleiras da mesma loja. O maior, não hesitava em falar de sua origem europeia, dizendo ser digno de servir reis e rainhas; o mais alongado, estava sempre se gabando de sua ascendência oriental e dizendo saber segredos milenares para fazer chás com propriedades curativas; quanto ao bule de joaninhas, não sabia nada sobre seu passado, sentia-se humilhado diante dos outros dois, e ficava em silêncio. Até que um dia uma senhora os comprou e guardou lado a lado em uma estante com fins puramente decorativos. Tiveram, todos os três, exatamente o mesmo destino. 

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Anderson Lucarezi: 100 poetas brasileiros

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Anderson Lucarezi: Constelário (2016)

sequer o céu é sincero:

a estrela que cintila
não é a estrela que cintila,
visto que, na real,
imagem antiga.

o escuro que anoitece
não é o escuro que anoitece,
visto que, de onde vem,
já se fez brilho.

iria, eu, de volta,
fosse aceito,
a um céu do presente
em que uma estrela extrapolasse
ser mera brasa enganosa:
talvez, quem dera, farol
(visto que agora é lanterna traseira)
de um carro-tempo mais-que-perfeito.

Os poemas a seguir foram selecionados da obra Constelário (Ed. Patuá, 2016).

Anderson Lucarezi (São Paulo, 1987) é escritor, professor e tradutor. Publicou Réquiem (Ed. Patuá, 2012), livro vencedor do Programa Nascente USP 2011, e Constelário (Ed. Patuá, 2016). Como tradutor, dedica-se a trazer para o português as obras de poetas norte-americanos como Hart Crane, Jerome Rothenberg, John Gould Fletcher, entre outros. Faz, atualmente, mestrado em Letras Estrangeiras e Tradução na Universidade…

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Desperdício… By Miriam Costa

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Minha riqueza é minha palavra, meu cárcere o silêncio.
Horas escassas que duplicavam nossos sentimentos, nunca entramos numa conversa que nos levasse a nada.
A vida é um idioma, os encontros aleatórios são invocados no passado, meus pensamentos voam mansos como os segredos que vão se lendo…
Com um sorriso a moça apresenta outra que me tatuou nos olhos janelas que davam para um precipício!
A madrugada tem seus delírios, diz uma amiga.
A madrugada é mãe de todos os filhos e tem seus cúmplices envelhecidos!
Desse mês bastardo, tivemos a graça de nos encontrarmos ao acaso, nós sem muito contágio, só nossas olheiras brindando o cansaço consciente. Fato!
Toda a pele cede ao apelo do corpo, são verbos, mistérios, laços de amizade costurando a cidade e os nossos sentidos se distraem com um aviso…
Quero ser mais do que uma Miriam, ser rima e elo, um poente, universo, quero…

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Declaração de nostalgia by Jenis

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Ainda o tenho em meus poemas Já se foram três, até onde contei a presença secreta dele conforta sem razão aparente refúgio conhecido familiar não particularmente seguro mas me chama para a volta quase que em necessidade Quero ver de novo viver de novo quero ter 13 anos pedir desculpas vestida de xadrez quero olhar o desejo pela janela me perguntando porque não tenho coragem Por que me sinto olhando por aquela maldita janela a todo instante? Quero vê-lo arrancar a Torre Eiffel com os dentes de novo sentir o cheiro de maracujá mesmo que saiba saiba que não é isso o desejo mesmo que seja. E se (maldita junção) é medo de por no lugar? se o vivido já chegou no seu máximo me encontro em um padrão já tão baixo que não vejo modos de superar? Quem sabe… eu sei eu só sei que naquela música eu vivo…

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Réquiem em dó maior by Hang Ferrero

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

aturdido junto a si.
acordado, mas, tardio
de perceber o gracejo
da qualquer parte do dia.
um sujeito atordoado e
tentado, sem sucesso a
desfazer-se dos traços
das tantas noites indignas.
tudo o que sabe é roer
desrespeitosamente as unhas
e arranhar desventuranças.
cada ato, enveredado
pra não dar mesmo certo.
sê bom na costumeira descoragem.
serve-se bem de colocar-se só,
com as vergonhas enrubescidas
e exageradas nas denúncias.
sê bom, no cara a cara com
os útlimos atos inconfessáveis.
sem sobras, sem sombra e acuado,
remoendo impropérios no silêncio.

eis aí tudo o que não frutifica, pensa.
eis da vida as inconveniências, pensa.
de nada vale valer-se deste tipo de melancolia, pensa.
joga as pernas simultâneas mundo afora da cama. agora, pensa!

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Já é tanto by Naomi Lustosa

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

e dói aqui dentro quase como se fosse um fim. não é, eu sei mas eu sinto como se fosse. talvez o começo do fim aquele presságio que a gente sente por não saber o que vai ser. tudo bem, pode ser só a ansiedade, mas ela sendo um só já é tanto e dói aqui dentro. há quem me diga que é medo dos vários tipos e camadas e eu também sei que medo a gente enfrenta que o ciclo precisa ser quebrado pra ser novo ciclo mas é que sentindo tudo, é que sabendo da alteração estrutural pra além do meu hipocampo, é que sendo refém das minhas barreiras, já é tanto e dói aqui dentro. é claro, eu preciso de otimismo e de tempo. é que saber já não me supre e nem me convence. necessito lembrar do que foi bom pra ter fé pra pular no…

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Crônica do mundo paralelo VIby Hang Ferrero

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

depois de uns dias de sol-lidão em “terras pexêras”, sem que o astrorei desse as caras, num certo vinte de outubro de dois mil e vinte e um, precisamente na quartafeira, três dias depois do dies dominica” ( “dia do senhor“, ou domingo, para os acostumados ) e ainda sob uma nebulosidade mais densa que pelo de capivara, o sol promoveu no cair da tarde, um espetáculo que me causou assombro. sofri, de fato, um impacto armagedonecatômbico, tal a belezura daquela bola de fogo. eita que resolveu se exibir como se tivesse comprado roupa nova na década de noventa!

no outro dia, ou, quatro dias depois do que é considerado o último dia da semana para os cristãos, saí pela rua sem celular e depois de um certo…

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Assombro by Lívia Natália

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Assombro

Num dia como este
de chuva uterina,
meus pés dançam belos
no equívoco dos sapatos novos.

Esta sou eu, em ledo engano:
enfeitando o mal, o errado,
e as ausências do mundo
com meus pés pouco delicados.

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Apneia voluntária

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

por Jenis

Perverso 
Se sufoca por exagero 
aperta sem medo de morrer
e quando já não dá mais 
solta 
solta como quem diz te amo 
mas se morre já foi 
se mata não se lembra mais
depois que solta pensa que acabou 
e faz de novo 
um aperto de corpo próprio
com medo de outro 

                          um ataque qualquer 

com maior medo de si 

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Cerro do Ouro by Odilon Machado de Lourenço

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Ali é o Cerro do Ouro Lugar que pegou o nome por ter ouro sobre o poncho Num tempo de não sei quando porque o tempo se esqueceu Num floreio de carreira tão logo atada a aposta sobre um poncho tilintava moedas cunhadas à ouro para o jogo dos cancheiros e prata pra gurizada Depois de feito o arremate não se voltava pro início Cancha reta, campo aberto e pingos que não abriam Carreira é sempre carreira Nem sempre o pingo mais bueno levava o ouro do poncho Muito jóquei muy ligeiro corria surrando bem e cruzando ao meio pescoço no final da cancha reta voltava em marcha ladeada Depois da poeira sentada outras moedas no poncho Outra parelha se vinha e ali seguiam joquiando Muita ponta de gado foi vendida pra carreira Algum pedaço de campo virou ouro ali no Cerro E até talvez algum sinuelo ficou ponteando outra…

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Que mistério tem Madalena?

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Por João Silvério Trevisan / Itaú Cultural

Na peça Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams, a personagem Blanche Dubois, deslocada no mundo, entrega-se aos enfermeiros que vão levá-la num furgão para internamento manicomial e comenta, com pungente melancolia: “Eu sempre dependi da bondade de estranhos”. Essa cena inesquecível me ocorre a propósito de Madalena Schwartz, que eu conheci através do seu filho Jorge, quando moravam no Edifício Copan, em pleno centro da capital paulista. Acho que ela ainda mantinha sua lavanderia/tinturaria numa ruazinha próxima. Era uma mulher de baixa estatura, olhos apertados e brilhantes, detrás de óculos de grau, e um jeito peculiar de sorrir. Sem nunca perder o sotaque argentino, parecia oscilar entre o desejo de confiar e o receio de se entregar a estranhos, como se guardasse segredos inacessíveis a qualquer um. Acho que conheci suas fotos inicialmente através do próprio Jorge, em meados dos anos…

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Porque me acumulas de ti by Naomi Lustosa

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Série “meu rosto me é mais estranho que meu íntimo”, 2021, Naomi Lustosa

Porque me acumulas de ti
Me enche as tripas, a cabeça e os olhos
Me faz querer encontrar em tão forte golpe a minha mão com uma parede

Porque me acumulas de ti,
Desse desejo excesso,
Dessa loucura entuchada num vaso de cristal,
Canso de correr nas sangrentas veias em mim
Canso de pausar na inércia do meu sono

Porque me acumulas de ti
Como insana, perambulo
Como vagante, enlouqueço

Por que me acumulas de ti?


Bio///

Naomi Lustosa

Artista Visual e Teatral, Escritora e Arte-educadora. São Paulo, SP, Brasil

Artista e arteira, nascida na terra onde o sol queima, encanta e frutifica. Floresço no Teatro e nas Artes Visuais, onde sou Ser criativa e criadora, e registro em poesias aquilo que não cabe mais em mim. Alguns trabalhos meus podem ser encontrados no instagram @naomi.lustosa e…

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Assombro by Lívia Natalia

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Num dia como este
de chuva uterina,
meus pés dançam belos
no equívoco dos sapatos novos.

Esta sou eu, em ledo engano:
enfeitando o mal, o errado,
e as ausências do mundo
com meus pés pouco delicados.

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Hang Ferrero: 100 poetas brasileiros

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Editar

A MasticadoresBrasil terá o prazer de publicar 100 poetas nos próximos 100 dias. Nós convidamos você a ler e compartilhar com seus amigos. E aproveite esta experiência interessante.


Hang Ferrero : Barbarie

alguns dos meus versos,
foram bestialmente decapitados,
no paço–herético–municipal.
ainda podem ser vistos por lá,
no lóbulo frontal da guilhotina.
sobrou pouca coisa da
utopia no passeio público,
e estes pularam escondidos,
protegidos por colchetes,
por entre páginas violentadas.
os usurpadores atacaram
covardemente; primeiro a liberdade
e depois, o concretismo.
pseudos, restolhos, ruídos;
entregaram os meus versos.
são o que são agora.
escondidos lá pras lonjuras
de eu-lírico-amordaçado.
fugiram o ancião e a estética.
fugimos da poética; eu e a arquitetura.




Hang Ferrero

  • Criador das performances poéticas “Casa de Ferrero Espetos de Pau” e “Origens”.
  • Membro Correspondente Internacional da Academia de Letras do Brasil/Suíça.
  • Membro Imortal da Academia de Letras de Balneário Camboriú/SC.
  • Fundador e primeiro diretor…

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A vida é breve by Nicole Guimarães

MasticadoresBrasil Editora: Miriam Costa

Foto autoral. Ruas de Paraty / Setembro, 2021

Nicole Guimarães blog

Eu não tinha convivido tanto com a morte como nesse último ano. Foi meu avô, pai de grandes amigas, chefe/amigo e mais pessoas queridas de outras pessoas queridas. Embora saibamos que a morte é para onde todos nós vamos um dia, é complexo conviver com ela e todas as dores que ela traz.

Pensar na brevidade da vida revira as memórias, os afetos, aperta o coração. É esquisito aceitar que as pessoas que amamos partirão um dia. Até a pessoa mais preparada espiritualmente e/ou psicologicamente sente. Temos sangue correndo nas veias, coração batendo no peito, emoções por debaixo da pele.

E o que a gente faz com essa única certeza que a gente tem? Vive. Não há mais nada a fazer a não ser viver. Entregar-se para essa aventura que é a vida e viver seus mistérios de braços…

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