Das mirações do mar

Quero mirações perto do mar do meu mundo

Quero estar contigo

Quero confiar em tua sombra

Crer em tua pele

Quero ventos secando o que pouco a pouco

vou perdendo do que fui

Estou na maresia dos teus lábios, e o suor

nos teus cabelos é toda minha água e

os serenos do teu corpo irrigam minha seca morte

Vejo miragens endunadas nas tuas coxas

Suspiro aliviado por saber que não te tocam

os amantes que enlouqueceste pelos caminhos

Agora sou eu a tua flor enluada

O teu facho de luz na noite interminável a

derramar teu corpo sobre mim

Sou eu a carne engastada em loucuras que

flama em teu peito

Sou eu essa onda que vem toda noite

acariciar os teus ossos

Enfarolar os teus olhos navegantes

Estou entrando em teus olhos,

o fundo do mar é meu atalho

A salinidade jaz na minha língua revolvida

de sereias descamadas

Cubro o universo de areia e teus cabelos e

teu rosto sorriem para mim como flores,

estrelas e rochedos impávidos

Danças então à meus olhares e teus gestos

são nuvens efêmeras que guardo comigo

E haja o lastro da memória para te amar

sempre em minha vida.

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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2 respostas para Das mirações do mar

  1. gostei deste verso: “A salinidade jaz na minha língua revolvida

    de sereias descamadas”

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