Decantamentos

PARA ITAPUÃ.

As águas dos dias escorrem para o cimo crepúsculo

Ventos levam os ares do sol ao outro amanhã

Auras viram ondas a cair sob as sombras

Vultos adentram a simbiose da noite

Em alheio sentido danças acontecem

Um turbilhão invade devaneios em cheios mares de luz

Há um ajustamento de loucuras no silêncio dos

redemoinhos das águas

O círculo no seio da vida aniquila temores

Afundam-se navios carregados de angústias

No desalinho das curvas afogam-se séculos

Âncoras caladas no sempre observam ocasos

Ali peixes guardam desconhecimentos eternos

As marés ficam confusas

A queda das águas mergulha desconhecidos vazios

Inundam o leito escuro dos vales

Vão as águas ao recuo das marés

Cobrem pedras caminhos de musgos

As águas dissolvem-se nos tons dos meus olhos

O coração arranca voos que giram a viver e a viver…

A leitura das águas fulmina retinas

Deságua o silêncio

Ventos alcançam pedras ao intacto esmo

Calafrio inundado num sonho

O voo dos ares carcome decênios nas pedras inatas

Séculos intocados a esculpir reentrâncias deixam aos

sopros do hoje sua espera eterna

Fiam pedras o pouso dos passos de meus pensares

Pássaros dormem prenúncios de cânticos

No entorno lúcida paisagem de cores desenhadas

nos pincéis das auroras

Voltam as águas a bater no risco das pedras.

Anúncios

Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s