Caminhos do Hermenegildo

PARA HOMERO SUAYA VASQUES RODRIGUES.

“Escribir no significa convertir lo real em palabras sino hacer que la palabra sea real”.

   (Gabriel Garcia Márquez – Cien Años de Soledad)

 

Ondas do sul vislumbram o preciso mergulho de mil incertezas

Gaivota desliza em meus sonhos seu voo de neve

Marisco esconde na areia um segredo profano

Dos Juncos houve um silêncio que emana de mim

Acácias enraízam meus verbos ao longo das horas

Tramandaí suspira um alívio no som de uma concha

Pinhal lapida suas árvores em vento arredio de maio a setembro

Atlântica seduz navegantes nas águas que trazem versos à costa de uma poesia

Cassino joga minha sorte ao léu de uma onda rolada em espumas

Rainha do Mar protege seus filhos de um possível naufrágio em águas bravias

Capão da Canoa navega minha sombra na busca de nadas

Laranjal deitei meu sossego na rede dos dias de um pouso finito

Chuí desenreda o desejo de um abraço fraterno levado comigo

Dunas desenha miragens de visão indistinta na flor de um hibisco

Vento Sul desfolha minhas pálpebras em mar violento

Maravilha estende estrelas azuis no cimo das noites

Valverde oferta butiás às sereias amantes de algum pescador

Cálido Verão banha em areias o corpo dos pássaros

Areal afunda em mistérios o meu pensamento entregue aos ventos

Bem Querência aguarda a chegada dos filhos que foram para outro verão

Mar da Tranqüilidade é mulher sussurrando um amor impossível

Riacho deságua suas águas de branda corrente em sedento Netuno

Estrela Dalva alerta os amantes para outro começo em breve alvorada

Brisa serena dias e noites flutuando à esmo um carinho invisível

São Luís espraia enredos de luzes esparsas pintando telhados de cinza nevoento

Caracol anuncia meus ventos guardados nos anos de incríveis marulhos

Maresia salpica na pele o cimento do tempo que as águas levaram

Sol acentua sua força ao crestar uma vida amparada ao relento

Cruzeiro do Sul horizontes se perdem no fio do infinito

Em Lembrança areias injustas queimam papiros na sola dos pés

Bagre evola na alma o desejo da volta daquele que vai além das marés

Marinheiros ao Largo bebe calada um degredo sem volta

A Lua me sofre ao saber que me vou sem ter o seu beijo

Saudade marca em seu dorso os passos que vão para outros destinos

Vento Norte caminha comigo em rumo do fim

Nas ruas sem nome evoco a vontade de nunca partir.

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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5 respostas para Caminhos do Hermenegildo

  1. Drika disse:

    Bah deu pra entender o sentido de cada palavra, excelente! Parabéns!

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