Veneno Dionisíaco

Cruzando a noite no limiar do perigo

às caladas do cais.

Atrás do remédio para o tédio

na cilada da noite.

Minha oração é o pesadelo do mundo

às caladas do cais.

A maquinação na voz secreta da alma.

A noção do que faz ou sente

O conjunto dos fatos.

O clandestino tomando parte numa cena.

A sinfonia do mar e as canções dos barqueiros.

O delírio do marinheiro que abandonou sua causa

Na garrafa vazia de rum

A solidão do desterrado no divã da calçada.

A doca vazia.

O mar encapelado.

A enseada tomada pelo sonho etílico da noite.

Os limites da loucura no último grau de intensidade.

O farrear dos navegantes.

O flerte das mulheres em fluxo constante.

O pecado da luxúria fumegando no ar.

O grito do gueto.

A morada dos demônios.

A insuficiência de ar.

O desejo violento de possuir a chave do inferno.

A pequena porção de veneno na mão do demônio.

O cheiro de gordura no ar dos botecos.

O cogumelo de Hiroshima.

A sombra do patamar junto à porta do limbo.

A rua do inesperado.

A boca do inferno legando o perigo.

O porto infinito crestado de estrelas.

Um homem dominado por uma paixão insensata

Vagueia no cais como um corpo celeste.

Um satélite no espaço mágico do mal.

Maré cheia na marina!

Uma combinação de gestos.

Uma série sucessiva de sons em metamorfose no porão do edifício

na rua da dor.

Milongas no ar!

A cessação da vida carregada com pólvora.

O que não existe.

O cheiro vivo e penetrante.

A maresia.

A narcose e a náusea do náufrago navalhado no chão da loucura.

O mar de Netuno.

A consequência do ocaso na efusão de um fluído.

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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