Sereia

Sereia

Nas horas atentas ao sol caminha enseierada a mulher

Seus cabelos cacheados em ondas de ouro

desabando em mar alto transcendem à luz

Nos lábios um porto enluado

Um tropel de cavalos

Uma dança vermelha

Na pele neves andinas

Papiros de arroz

Céus inflamados

Correntes de lavas…

Das lonjuras os olhos reaninham canções

Rascunham memórias lampejadas de azul

Segredos se acendem em suas palavras

Cada curva em seu corpo é uma mão tateante

queimando em si mesma

Enseadas marinhadas de espumas atendem seus passos

É ela que o mar ciumento esconde em suas águas.

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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