Casa de pescador

 

Aqui nessa casa de pescador quero que navegue mareseada de luas

Quero a noite enredada em cabelos voados por ventos saídos de ti

Quero as sardas da tua carne tomando sol na varanda inundada de tardes

Nessa casa de pescador quero sereia de mar e sereia de terra

Quero teus olhos passeadores de mim e dos pássaros do mar

Quero junto sonhar oceanos de estrelas

Amontoar sambaquis no pátio dessa casa de pescador

Tenho barcos abrindo horizontes à procura de peixes

Outro voltado a derivas, outro rumando à poesia e outro

cercando enseadas com tua imagem encardumada nas ondas

Tem um porto que espera comigo o mistério nessa casa

de pescador, é um porto demorado de tempos

Um porto que se chega no escuro, no silêncio, um porto

para que caminhe sobre as águas como a luz dos astros

caminham e se deixam afundar

Chegar-se-á um dia de partir deste porto para ser memória e esquecimento

Nessa casa de pescador tem endereço para teu nome

Tem brisa boa acarinhando e selvagens mãos de poeta a rasurar o verso

A tecer a rede nesse pé de morro com córrego, rio, lagoa, mar

e coisas azuis que dão água

Nessa casa de pescador tem janelas para a imensidão e barcos que voam

Tem calmarias e mares lanhando imagens rupestres nessa casa de pescador.

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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2 respostas para Casa de pescador

  1. I hope one day I’ll be able to read you in original, I’m sure now I lose something important…
    but anyway I like this poem

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