Do homem que enfrentou o mar

 

Bravos sais da tempestade arrancai do mar as paciências!

Desordena suas vagas em meus olhos

Roube os soluços de minhas veias

Quebre quilhas, lemes, rasgue velas de veleiros solitários

Grande mar trajado de estrelas

Avarie o ritmo dos astros

Inunde as torres faroladas

Que afunde em teu sangue a voz da terra

Traga ó mar as cidades submersas do teu corpo

Grosso mar carneie a costa!

Viole a pedra impávida, alague lavas

Desabe nas montanhas o furioso tsunami do infinito

Destrua metrópoles, vaze cargueiros

Corroa o gelo de tuas lágrimas

Resseque nas areias de mil dunas

Evapore no céu das calmarias

Apague o sol, silencia o cosmos

Em todo azul ponha negruras

Lave os gases das galáxias

Suspenda os cabelos das sereias em eternas ondas de vapores nebulosos

Longos cílios do mar feche seus olhos

Rochedos esfarelem nas suas garras

Brisas de sal soterrem o verde nascimento de minha vida

Sacie tua fome insaciada em minhas mãos enconchadas em teu ventre

Lamba suas ondas ao refluxo que escondes para fora do horizonte

Marine em redemoinho a bandeira dos piratas

Deflagre ao céu a cegueira que se cobre atrás das vestes invisíveis da tua raiva

Corrompa a densa nuvem da História

Alague geografias, adense em majestade sem controle

Encharque a pele do meu verso

Venha em mim numa só onda

Apague de vez todas as luzes

Morra em mim como num sonho impossível de voltar a estar sonhado

Fuja em mim toda sua água

Cristaliza a terra em diamante

Troquemos o amargo gosto envidraçado ao cravar a minha morte em tua morte

Em outro Mar Neruda ilhado em sua Ilha convença-te a voltar para teu leito.

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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7 respostas para Do homem que enfrentou o mar

  1. “Apague o sol, silencia o cosmos’, poderosa ou poderosos!

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