De quando se vai ao mar

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PARA ANDRINO, CÉLIO E CÍRIO, PESCADORES DO MAR. 

Na entrada do rio e do mar há dois faróis

Há dois faróis bulindo olhos no horizonte

Plantados nas pedras e nas faces há dois  faróis

Seus olhos navegantes veem ir o barco

 

Para fora do mundo vai…

 

Entre águas e céus vai o barco entremeado de azuis

O pescador leva sua fé às águas

Cavaleando as ondas vai a quilha firme a abrir a carne do mar!

Vai a arranhar o desenho azulado do céu e do mar

E deseja sol, e deseja peixe, e deseja lua e todas as estrelas

não lhe bastam como amores

 

Ficam na terra e no ar despedidas de partidas

Ficam nas nuvens atravessadas de sol o sonho que avança para o mar

E quer marés!

Quer ondas!

Quer calmarias

Quer a música do mar…

Quer distâncias enredadas por peixes

Quer a solidão do mar

 

Para fora do céu vai o barco…

 

No mar há o olhar fulminado em cardumes

Riscadas de alturas as águas prateiam o vulto dos peixes

A rede cai, e cerca, e prende e enche….

 

Segue o barco a redemoinhar o mar

Caceia incertezas, caceia à espera dos frutos do mar

À maré de distâncias balançadas nos esmos

Distâncias que se enturvam em furores esplêndidos

Ora sóis, ventanias, ora estrelas enluadas nas negras areias do céu

 

Para fora do dia e da noite vai…

 

No grosso mar emboscadas de ventos enfunam poemas

incertos nas vozes dos homens

Se perdem nas redes tecidas de nuncas pedaços do mar

E se viaja às paliçadas do sempre

 

Ficam nas palavras aqueles que foram além das águas do mar

Ficam nos ventos que passam pelo azul

Dormem naufragados

Salinados de lágrimas

Dormem além do mar…

 

Foram tufões, maremotos, frios terríveis…

Foram livres cavaleiros do mar

 

Na costa, esperanças são cardumes perdidos

Tarrafas tecidas de esperas vazias

Olhos e vísceras visadas ao mar

São olhos que esperam o barco voltar, e os olhos não trazem

São olhos que sofrem do amor azulado do mar

São conchas que abrem-se no fundo do mar.

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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5 respostas para De quando se vai ao mar

  1. I saw, I heard, I smelled
    well done

  2. Gostei do trecho : “Tarrafas tecidas de esperas vazias”

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