Poesia para minha morte

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Será sem saber como, imagino

Será na batalha final entre mim e o tempo

Haverá um pássaro azul na árvore junto aos meus olhos?

De flores estarão cobertas as cerejeiras do Japão, talvez nessa hora

Uma guerra travada na Zâmbia, talvez nessa hora elimine culturas

Um submarino de marinheiros mortos tocará o mais fundo do mar,

talvez nessa hora

O sol impedido, talvez nessa hora escureça pra sempre

Será no meio fio da Rua das Lonjuras?

Será na solidão de miragens em Gobi onde a sede do beduíno

não importa ao deserto?

Será nos braços de mouras num palácio andaluz?

Talvez nessa hora seja eu o ponto cinzento caído sob as

brumas de Londres

Ou talvez a morte não queira minha morte

Seja eu um pirata na mira longínqua de outro pirata

Talvez nessa hora as ondas do mar se elevem tão alto

afogando as enseadas de minhas retinas

Talvez nessa hora a lua encubra-se de sol e a noite eternize

em meus lábios o verso da vida

Nessa hora talvez ninguém saiba qual seja meu nome

Talvez naufragado me encontre no mar a rede certeira e jogado

ao convés de um barco pesqueiro tragam à terra um pedaço de mim

Nessa hora talvez as Negras Montanhas enrrochem minha carne

e haja dança em meio à neve que cai sobre índios ao sul de Dakota

Canções sibilando nos ventos talvez nessa hora se abrandem e calado

o violino do tempo se abrace aos meus braços como um beijo em silêncio

Negras bandeiras talvez se levantem nos olhos daqueles que vivem onde nasci

Nessa hora um poema incompleto se apaga em mim.

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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