Dos reinos

Ave deuses das tormentas!

Mil derivas naveguei, sem leme e velas fui rei

Quantos sonhos meus sonhados no peito em frente levei

Tive nadas, tive mundos, tufões no mar enfrentei!

Sonora calma das águas por onde vão meus não sei…

Que estranhos mares retrato?

Quais naufrágios são os meus?

Que doidos são meus piratas!

Quantas naus já afundei?

E quantas vezes morri nos mares que naveguei?

Limpo céu de azul brilhante em que lua te fitei e deixei

irem contigo o reino em que era rei.

 

 

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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