Capitalismo

À JACARÉ, UM CAPOEIRA.

Olá Sr. Quépital!

Vou chamar-lhe assim para sarrear um pouco

Tenho coisas a dizer-lhe nesse poema

Coisas que não irão doer em você porque você não dói não é mesmo?

Sabe Sr. Quépital!

Tem umas pessoas morrendo em algumas guerras feitas por você

As armas não podem ficar velhas não é mesmo?

Tem uns planetas esperançosos que você lá não consiga chegar

para fazer o que bem entenda Sr Quépital

Seus astronautas não aguentam mais suas pílulas e farão greve bem

ali naquela bazesinha que você divide com os russos e os asiáticos

O mundo existe para você Sr. Quépital?

Suas estradas cheias de fumaça e sangue logo irão parar não é mesmo?

Eu rirei quando teus súditos tiverem de empurrar os automóveis

até os postos de gasolina e não encontrarem nenhuma gota

Quantas cartas você tem na manga Sr. Quépital?

Quantos motores a biodiesel suas fábricas farão em 24 horas?

Você sabe como não morrer Sr. Quépital?

As terras já não são tão férteis você sabe

Há muito do seu veneno esterilizando o mundo Sr. Quépital

Escorrem para os rios e os peixes que não morrem você

serve para seus criados nos palácios do mundo Sr. Quépital

Você está ficando louco não é mesmo?

Ha! Mas há mais terras no terceiro mundo

É só derrubar umas árvores, construir umas hidroelétricas,

afogar a fauna, criar mais algumas fábricas e jogar o lixo ali mesmo

Quem se importa Sr. Quépital?

Sabe, há uns homens por cima do lodo que não aguentam mais Sr. Quépital

Eles não comem em sua mesa com os banqueiros, petroleiros e

demais senhores da guerra

Eles querem sua carne Sr. Quépital!

Eles irão conquistar sua filha só para enganá-la

Não há mais amor Sr. Quépital!

Você tirou o tempo dos amantes, ninguém mais sabe amar Sr. Quépital!

Não há tempo para o amor, os despertadores não param

Aqui onde moro não tem pão amanhecido Sr. Quépital

Não tem farinha, nenhum tipo de cereal

Mas tem uma adaga que afio para você

Será um presente Sr. Quépital

Suas vísceras aguentariam a força de um operário?

Você se esconde demais Sr. Quépital

Não adianta blindar essa carinha de bom moço e trezentos dentes

Você pode cair Sr. Quépital!

E quando acontecer irá cair mal Sr. Quépital

Se você fosse um capoeira poderia cair bem, mas não é

E você sabe que fera caída é comida de outras feras Sr. Quépital

E há muita fome nesse império em ruínas

Há muita fome!

E não é só de estômago!

É uma fome de quem não aguenta mais Sr. Quépital

Você está tranqüilo aí na Casa Branca, em Hong Kong, onde mais Sr. Quépital?

Ha! Enganei-me, hoje fora à Estocolmo receber o Nobel Sr. Quépital

Ontem assinou um tratado para acabar uma guerra

Gastou suas armas velhas não é?

E aquelas etnias que estavam ali?

E aquelas bibliotecas?

Por acaso não tinham umas culturas ali Sr. Quépital?

Ha! Tem um buraco, é o que consegue ver de sua luneta Sr. Quépital

Você sempre reconstrói tudo não é mesmo?

Investimentos, empréstimos, bancarrotas do outro…

Como você gosta disso não é mesmo Sr. Quépital?

Seu alimento vai acabar Sr. Quépital

Há muita gente sabendo

Sabe, gentes Sr. Quépital

Há muita informação por aí

Você não conseguirá chegar a Marte sem destruir a Terra Sr. Quépital?

Você não merece nenhuma estrela Sr. Quépital

Nem aquele soldado que está morrendo merece uma estrela, ele

quer mesmo é um cigarro feito por você Sr. Quépital

Para que honrarias se ele quer um cigarro

Um cigarretes para duas tragadas Sr. Quépital

Mande depois uma estrelinha para a mãe dele lá no Arizona e

uma bandeira listrada Sr. Quépital

Ele morreu buscando a paz não é mesmo?

Você não inova Sr. Quépital, tem gentes por aí manjando seu tipinho e

eles sabem dar rasteira Sr. Quépital

Sabe, eles tem uma adaga que afiam para você

Mas não precisa ter medo, não por agora

Eles estão descascando laranjas Sr. Quépital

Mas não são daquelas envenenadas que você conhece

Mas quando conhecê-las Sr. Quépital, estarás morto.

Não terás carne para tanta adaga Sr. Quépital.

                   

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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2 respostas para Capitalismo

  1. hangferrero disse:

    Caraca! Das melhores coisas que li caro amigo. Parabéns!

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