Nós que não somos

Nem falei da minha casa que podia ser sua

Da guitarra que treme emblusada sobre a geladeira

Da capa de disco em meio ao trigo

Daqueles pinheiros que foram sombra pra nós dois

Da areia noturna em teus pés

Nem falei ao teu lado na pedra que escrevias

Nunca estivemos juntos na pedra

Estivemos em outro tempo e o mesmo perdeu-se…

Ficaram teus olhos que me olham da água do mar.

 

 

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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