Os olhos de Quindimun

O tempo lhe veio nas pupilas, cravou-lhe belas memórias

Conhecera poeiras de estradas e horizontes de águas

Cresceram imagens de relvas nos seus braços

A terra tinha lhe dado aquela cor revirada de leivas

Ao redor nervos retinavam magmas e davam-lhe forma de homem

Sentia gratidão por ter sido feito à beira do fio

Sua fusão foi martelada nas lavas beijadas pelo mar

Fluíam luzes curvas na janela das córneas

Quindimun as abria e ouvia as dobradiças rangerem as cores

Fogueiras nasciam nas íris afrontando relâmpagos

Queimavam noites enluadas a uivos de raios e poemas-fogo

Focavam periferias de estrelas cristalinas

O preto e o branco coloriam delírios indeléveis no cosmos

Quando estrelas caíam guardavam nos subúrbios seus pedidos

No sono serenado viajavam as léguas na altura das águias

Acordavam na força do sol raiando folhas outonadas

Foram brisas azuis nas manhãs acordadas por pássaros

Não se abriam de chofre suas pálbepras

Regurgitavam a lembrança do sonho

Depois levantavam rente às veredas da face

Punham-se na prontidão renascida de lavouras brotando

Abriam-se ao entorno da luz como lanças em voo

Quindimun era pó que alçado ao ar lagrimava seus olhos.

 

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Sobre Poeta da Garrafa

Sou o Poeta da Garrafa. Odilon Machado de Lourenço nascido no pampa, ventado em minuanos, procurador de esmos e lonjuras. O que busca caminhos e olhos, palavras e sonhos. O que segue no claro do sol e da lua, o que navega e silencia à beleza. O que lavra a terra, águas e céu, plantador de passos, horizontes, sementes de amor e ternura. O que vai a colher miragens, tomar sombras, redemoinhar sem leme. Sou a distância dos dias e das noites que andam comigo contemplando o mundo. Sou brumas revoadas pelo som das auroras, amanhecido de velhas histórias e delírios. O veio, o nascedouro de uma loucura, mas sou sublime se contemplares meus olhos e ouvir meus sentidos. Sou folheador de paisagens, miscigenado brasileiro da Latino América, ouvidor de marulhos e brisas, caçador de estrelas. Olhador de fogueiras, enritmado de blues, samba e versos. Sou uma deriva com porto.
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2 respostas para Os olhos de Quindimun

  1. hangferrero disse:

    Que texto! Lirismo na planta, na verve, no uso das intenções. Que aula de poesia!!!

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